domingo, 2 de dezembro de 2007

O FIM DO NATAL

A cada ano fico mais triste com o Natal, pois vejo que o verdadeiro sentido dele desapareceu. Não, não vou trilhar conceitos religiosos e sim, tatear pela sociologia das massas.
Fico me perguntando o por que de toda essa correria, por que tanta trabalheira, por que tantos gastos?
Natal, se ainda me lembro, é a festa de comemoração do nascimento de Jesus.
Ok, que bom que ele nasceu, mas me pergunto se esse estouro da boiada apressada em decorar, comprar e cozinhar ainda se lembra disso.Acho que não...
Os donos dos rebanhos enfiaram nas cabeças das rezes que é a hora de comprar, gastar tudo, consumir para que eles, os donos, fiquem cada vez mais ricos.
Estava eu em uma loja e meu coração doeu. Vi uma senhora humilde comprando uma árvore de natal, muito além das suas evidentes posses, em doze vezes. Vai pagá-la até o ano que vem! Ok, se isso a faz feliz, tudo bem, mas estou certo que mais felizes e ricos ficam os que vendem.
O Natal perdeu a pureza para o rebanho ensandecido e chego a pensar que o décimo terceiro salário foi inventado (pelos donos) só para isso mesmo.
O sentido "espiritual" perdeu-se, trocado e compelido para o consumo desenfreado daqueles que menos podem e deveriam.
Eu, rês desgarrada, não me submeto às ordens dos donos. Que me importa os vizinhos? Que me importam as lojas faiscantes? Que me interessa essa alegria falsa, fabricada e com com entrega na hora marcada?
Nada! Não obedeço, não dou ouvidos, passo ao largo sem ser contagiado. Longe de mim esse vírus inoculado, longe essa febre desvairada, longe essa alegria encomendada.
Não sou contra a comprar e dar presentes, pelo contrário, adoro presentear a quem gosto, mas nunca com hora e datas marcadas por outrem.
Passo ao largo dessas imposições do mercado. Faço ouvidos moucos, às ordens dos modismos impostos.
Mas, o que esperar de um rebanho que corre às lojas em busca das TVs digitais criadas pelos donos dessas rezes, quando 40% do país ainda tem esgoto a céu aberto?
Nada! São apenas gados marcados, tangidos a voz dos donos a caminho do abate.
O meu natal não está em papéis coloridos, embrulhos, árvores, e nem mandos do capitalismo selvagem.
O meu natal está dentro de mim, simples como a capelinha da minha rua que não é menos bela que a mais majestosa das catedrais.
Sem mais...

2 comentários:

Anônimo disse...

PARABÉNS pelas belas e verdadeiras palavras, escritas de maneira sábia, e com a coragem que tanto admiro.
Você merece uma coluna de destaque no melhor jornal deste país.

Unknown disse...

Mais uma vez poderia assinar embaixo de suas palavras.
Pode até ser que quando meu neto estiver maiorzinho eu venha a me corromper novamente, afinal não posso negar que participei disso quando meus filhos eram pequenos. A verdade é que hoje em dia a minha árvore de Natal é a que visualizo do meu apartamento. Vejo-a de longe, no centro da Lagoa Rodrigo de Freitas, e concordo que ilumina e enfeita a nossa cidade. Mas atualmente celebro o Natal apenas em família e nas idas à Paróquia, aliás tem sido bem melhor. Estou me preparando para um Feliz Natal!