terça-feira, 11 de dezembro de 2007
A ARTE DE DAR SEM DEGRADAR
Só vim aprender essa delicada arte, após alguns males causados inconscientemente, mas efetivos.Acho que é uma dessas compreensões que só a idade nos trás.
Por vezes, a nossa generosidade e vontade de agradar acabam sendo maléficas a quem só desejamos doar.
Lembro-me de três exemplos claros disto: Márcia era uma menina bonitinha, grandes olhos negros, brilhantes, vivaz, alegre, profissional séria e espirituosa. Morava em uma quitinete no Flamengo, sustentava a mãe, ajudava o irmão, uma tia e ainda era uma companheira divertida no trabalho.Certa feita, a empresa montou um evento em uma mansão no Joá e fomos todos convidados a participar como uma espécie de presente por nossas atuações.
A casa era cinematográfica, toda em vidro a flutuar sob o mar da Barra. Não vou descrever a suntuosidade dos aposentos, pois o propósito aqui, não é arquitetônico.
A reunião transcorreu com sucesso embora Márcia se refugiasse em um canto com uma forte dor de cabeça. No dia seguinte não era a mesma, estava taciturna, séria e no final do ano casou-se com um velho rico e mudou-se para os Estados Unidos. Visitei-a em uma ocasião em seu loft no Soho, lindo e muito bem decorado. Jantamos a luz de velas e notei que seus olhos haviam perdido o brilho e nada mais restara da menina alegre que conhecera.
Anos mais tarde, já em outra empresa, conheci Diogo, um menino espontâneo, comunicativo, brincalhão que morava com a mãe em uma casa humilde, vivendo felizes às custas do pouco que ganhavam. Seu mundo era restrito a seu bairro, o futebol e as garotas da sua rua. O máximo que se aventurava, era a viagem de ônibus até o trabalho onde se enfiava no almoxarifado. No final do ano, em um sorteio, Diogo ganhou uma passagem com direito a acompanhante e estadia de sete noites em um dos melhores hotéis de Buenos Aires. Percebi de imediato o olhar cumprindo que lançou a TV de 14 polegadas ganha por um colega. Sei que tentou trocar o presente, mas não conseguiu. Foi então que me meti procurando mostrar-lhe o quanto seria bom conhecer novos povos, culturas e costumes inteiramente de graça e, ainda por cima, dar esse presente a sua mãe. Ele confiava em mim e a minha insistência querendo seu bem, acabou animando-o.
Chegou o Natal, o ano novo e as férias e quando voltei não encontrei mais o Diogo na empresa. Demitira-se me contaram.
Preocupado, tão logo pude, fui visitá-lo. Encontrei-o no bar da esquina, na hora do almoço, já alcoolizado. Conversando com a mãe, soube que Diogo tornara-se alcoólatra, envolvera-se com drogas, mal chegara da viagem.
Como eu ainda não havia aprendido a lição, resolvi dar uma festa de boas vindas para um amigo que chegava de uma viagem de 30 dias pelos Estados Unidos. Convidei um seleto grupo e preparei com gosto uma surpresa que imaginava agradá-lo profundamente. E agradou sim, durante há meia hora que ele agüentou até "desmaiar" no quarto, exausto, deixando a mim e os convidados com cara de pastel.
Só então comecei a questionar se não deveríamos perguntar as pessoas que vamos presentear o que elas realmente gostariam de receber. Na nossa generosidade egoísta, na maioria das vezes, supomos saber o que é bom para os outros como se eles fossemos nós.
Só sei que parei de pensar "isso" é exatamente o que fulano (a) gostaria. Agora pergunto, mesmo estragando a surpresa, mas agradando sem degradar.
Por vezes, a nossa generosidade e vontade de agradar acabam sendo maléficas a quem só desejamos doar.
Lembro-me de três exemplos claros disto: Márcia era uma menina bonitinha, grandes olhos negros, brilhantes, vivaz, alegre, profissional séria e espirituosa. Morava em uma quitinete no Flamengo, sustentava a mãe, ajudava o irmão, uma tia e ainda era uma companheira divertida no trabalho.Certa feita, a empresa montou um evento em uma mansão no Joá e fomos todos convidados a participar como uma espécie de presente por nossas atuações.
A casa era cinematográfica, toda em vidro a flutuar sob o mar da Barra. Não vou descrever a suntuosidade dos aposentos, pois o propósito aqui, não é arquitetônico.
A reunião transcorreu com sucesso embora Márcia se refugiasse em um canto com uma forte dor de cabeça. No dia seguinte não era a mesma, estava taciturna, séria e no final do ano casou-se com um velho rico e mudou-se para os Estados Unidos. Visitei-a em uma ocasião em seu loft no Soho, lindo e muito bem decorado. Jantamos a luz de velas e notei que seus olhos haviam perdido o brilho e nada mais restara da menina alegre que conhecera.
Anos mais tarde, já em outra empresa, conheci Diogo, um menino espontâneo, comunicativo, brincalhão que morava com a mãe em uma casa humilde, vivendo felizes às custas do pouco que ganhavam. Seu mundo era restrito a seu bairro, o futebol e as garotas da sua rua. O máximo que se aventurava, era a viagem de ônibus até o trabalho onde se enfiava no almoxarifado. No final do ano, em um sorteio, Diogo ganhou uma passagem com direito a acompanhante e estadia de sete noites em um dos melhores hotéis de Buenos Aires. Percebi de imediato o olhar cumprindo que lançou a TV de 14 polegadas ganha por um colega. Sei que tentou trocar o presente, mas não conseguiu. Foi então que me meti procurando mostrar-lhe o quanto seria bom conhecer novos povos, culturas e costumes inteiramente de graça e, ainda por cima, dar esse presente a sua mãe. Ele confiava em mim e a minha insistência querendo seu bem, acabou animando-o.
Chegou o Natal, o ano novo e as férias e quando voltei não encontrei mais o Diogo na empresa. Demitira-se me contaram.
Preocupado, tão logo pude, fui visitá-lo. Encontrei-o no bar da esquina, na hora do almoço, já alcoolizado. Conversando com a mãe, soube que Diogo tornara-se alcoólatra, envolvera-se com drogas, mal chegara da viagem.
Como eu ainda não havia aprendido a lição, resolvi dar uma festa de boas vindas para um amigo que chegava de uma viagem de 30 dias pelos Estados Unidos. Convidei um seleto grupo e preparei com gosto uma surpresa que imaginava agradá-lo profundamente. E agradou sim, durante há meia hora que ele agüentou até "desmaiar" no quarto, exausto, deixando a mim e os convidados com cara de pastel.
Só então comecei a questionar se não deveríamos perguntar as pessoas que vamos presentear o que elas realmente gostariam de receber. Na nossa generosidade egoísta, na maioria das vezes, supomos saber o que é bom para os outros como se eles fossemos nós.
Só sei que parei de pensar "isso" é exatamente o que fulano (a) gostaria. Agora pergunto, mesmo estragando a surpresa, mas agradando sem degradar.
domingo, 2 de dezembro de 2007
O FIM DO NATAL
A cada ano fico mais triste com o Natal, pois vejo que o verdadeiro sentido dele desapareceu. Não, não vou trilhar conceitos religiosos e sim, tatear pela sociologia das massas.
Fico me perguntando o por que de toda essa correria, por que tanta trabalheira, por que tantos gastos?
Natal, se ainda me lembro, é a festa de comemoração do nascimento de Jesus.
Ok, que bom que ele nasceu, mas me pergunto se esse estouro da boiada apressada em decorar, comprar e cozinhar ainda se lembra disso.Acho que não...
Os donos dos rebanhos enfiaram nas cabeças das rezes que é a hora de comprar, gastar tudo, consumir para que eles, os donos, fiquem cada vez mais ricos.
Estava eu em uma loja e meu coração doeu. Vi uma senhora humilde comprando uma árvore de natal, muito além das suas evidentes posses, em doze vezes. Vai pagá-la até o ano que vem! Ok, se isso a faz feliz, tudo bem, mas estou certo que mais felizes e ricos ficam os que vendem.
O Natal perdeu a pureza para o rebanho ensandecido e chego a pensar que o décimo terceiro salário foi inventado (pelos donos) só para isso mesmo.
O sentido "espiritual" perdeu-se, trocado e compelido para o consumo desenfreado daqueles que menos podem e deveriam.
Eu, rês desgarrada, não me submeto às ordens dos donos. Que me importa os vizinhos? Que me importam as lojas faiscantes? Que me interessa essa alegria falsa, fabricada e com com entrega na hora marcada?
Nada! Não obedeço, não dou ouvidos, passo ao largo sem ser contagiado. Longe de mim esse vírus inoculado, longe essa febre desvairada, longe essa alegria encomendada.
Não sou contra a comprar e dar presentes, pelo contrário, adoro presentear a quem gosto, mas nunca com hora e datas marcadas por outrem.
Passo ao largo dessas imposições do mercado. Faço ouvidos moucos, às ordens dos modismos impostos.
Mas, o que esperar de um rebanho que corre às lojas em busca das TVs digitais criadas pelos donos dessas rezes, quando 40% do país ainda tem esgoto a céu aberto?
Nada! São apenas gados marcados, tangidos a voz dos donos a caminho do abate.
O meu natal não está em papéis coloridos, embrulhos, árvores, e nem mandos do capitalismo selvagem.
O meu natal está dentro de mim, simples como a capelinha da minha rua que não é menos bela que a mais majestosa das catedrais.
Sem mais...
Fico me perguntando o por que de toda essa correria, por que tanta trabalheira, por que tantos gastos?
Natal, se ainda me lembro, é a festa de comemoração do nascimento de Jesus.
Ok, que bom que ele nasceu, mas me pergunto se esse estouro da boiada apressada em decorar, comprar e cozinhar ainda se lembra disso.Acho que não...
Os donos dos rebanhos enfiaram nas cabeças das rezes que é a hora de comprar, gastar tudo, consumir para que eles, os donos, fiquem cada vez mais ricos.
Estava eu em uma loja e meu coração doeu. Vi uma senhora humilde comprando uma árvore de natal, muito além das suas evidentes posses, em doze vezes. Vai pagá-la até o ano que vem! Ok, se isso a faz feliz, tudo bem, mas estou certo que mais felizes e ricos ficam os que vendem.
O Natal perdeu a pureza para o rebanho ensandecido e chego a pensar que o décimo terceiro salário foi inventado (pelos donos) só para isso mesmo.
O sentido "espiritual" perdeu-se, trocado e compelido para o consumo desenfreado daqueles que menos podem e deveriam.
Eu, rês desgarrada, não me submeto às ordens dos donos. Que me importa os vizinhos? Que me importam as lojas faiscantes? Que me interessa essa alegria falsa, fabricada e com com entrega na hora marcada?
Nada! Não obedeço, não dou ouvidos, passo ao largo sem ser contagiado. Longe de mim esse vírus inoculado, longe essa febre desvairada, longe essa alegria encomendada.
Não sou contra a comprar e dar presentes, pelo contrário, adoro presentear a quem gosto, mas nunca com hora e datas marcadas por outrem.
Passo ao largo dessas imposições do mercado. Faço ouvidos moucos, às ordens dos modismos impostos.
Mas, o que esperar de um rebanho que corre às lojas em busca das TVs digitais criadas pelos donos dessas rezes, quando 40% do país ainda tem esgoto a céu aberto?
Nada! São apenas gados marcados, tangidos a voz dos donos a caminho do abate.
O meu natal não está em papéis coloridos, embrulhos, árvores, e nem mandos do capitalismo selvagem.
O meu natal está dentro de mim, simples como a capelinha da minha rua que não é menos bela que a mais majestosa das catedrais.
Sem mais...
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
NADA SE CRIA MAS TUDO SE COPIA NA TV
Aqui na minha casa, há mais de dez anos não assistimos a Rede Globo por achar que toda a sua programação é absurdamente inócua e sem nenhum valor cultural. Também, entre meu grupo de amigos, não conheço ninguém que assista ou mesmo goste.
Compreendo que uma TV que tenta ser líder de audiência em um país inteiro, país ainda repleto de analfabetos, tem que tentar nivelar pela média cultural. Tudo bem, não tenho nada contra ela. Só não perco meu tempo.
Mas, hoje, brincando com o controle remoto, parei em uma cena da referida emissora e fiquei perplexo: certamente era uma novela, acho que a do último horário e fiquei pasmo com a total falta de criatividade. O autor, que desconheço o nome, na sua total ausência de idéias novas e brilhantes - só pela cena que vimos - parece que baseou sua trama em um misto de "Residente Evil" e "Lost".
Para nós, que assistimos até o último capítulo de "Lost", essa sim, uma trama original que revolucionou a TV mundial, pareceu-nos tão ridículo que levou-nos a gargalhadas. Ok, eu sei, já nada mais se cria e tudo se copia, mas esse "Lost" tupiniquim é de lascar. O pior, é que deve ter muita gente achando o máximo e, certamente fará sucesso do Pirapoque ao Ichú. Ou será do Oiapoque ao Chuí? Sei lá. Só sei que não aqui.
De minha parte, ofereço meus pêsames a esse autor (que deve ser consagrado) por uma imitação tão barata de uma verdadeira obra de arte, inovadora e original escrita, produzida e dirigida por verdadeiros gênios. Pelo visto, e pelos pedidos de "tira, tira daí", já sei que serão mais dez anos sem passar por esse canal.
Os verdadeiros escritores Brasileiros, devem estar tremendo em suas tumbas aviltados por tamanha falta de inspiração.
Lamentável...
Compreendo que uma TV que tenta ser líder de audiência em um país inteiro, país ainda repleto de analfabetos, tem que tentar nivelar pela média cultural. Tudo bem, não tenho nada contra ela. Só não perco meu tempo.
Mas, hoje, brincando com o controle remoto, parei em uma cena da referida emissora e fiquei perplexo: certamente era uma novela, acho que a do último horário e fiquei pasmo com a total falta de criatividade. O autor, que desconheço o nome, na sua total ausência de idéias novas e brilhantes - só pela cena que vimos - parece que baseou sua trama em um misto de "Residente Evil" e "Lost".
Para nós, que assistimos até o último capítulo de "Lost", essa sim, uma trama original que revolucionou a TV mundial, pareceu-nos tão ridículo que levou-nos a gargalhadas. Ok, eu sei, já nada mais se cria e tudo se copia, mas esse "Lost" tupiniquim é de lascar. O pior, é que deve ter muita gente achando o máximo e, certamente fará sucesso do Pirapoque ao Ichú. Ou será do Oiapoque ao Chuí? Sei lá. Só sei que não aqui.
De minha parte, ofereço meus pêsames a esse autor (que deve ser consagrado) por uma imitação tão barata de uma verdadeira obra de arte, inovadora e original escrita, produzida e dirigida por verdadeiros gênios. Pelo visto, e pelos pedidos de "tira, tira daí", já sei que serão mais dez anos sem passar por esse canal.
Os verdadeiros escritores Brasileiros, devem estar tremendo em suas tumbas aviltados por tamanha falta de inspiração.
Lamentável...
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
A EXTINÇÃO DOS MÉDICOS
Não existem mais médicos como antigamente... A grande maioria tornou-se Doutores!
Mas, eu garanto que houve um tempo que eles existiam, cheguei até a conhecer alguns. Fui um menino com problemas de amídalas e febres fortes que me jogavam na cama por uma semana inteira. Ele então vinha até minha casa, batia na porta do meu quarto, sentava-se na minha cama, conversava comigo realmente interessado no meu estado geral, me examinava meticulosamente, me animava, prescrevia medicamentos e ia embora. A conta, só chegava para os meus pais posteriormente e, só depois que eu "sarava" por completo.
Já adolescente, conheci outro dessa espécie rara. Tratei-me com ele durante três anos seguidos, três vezes por semana contra uma bronquite alérgica. O tratamento era simples e rápido. Uma injeção subcutânea e pronto. No entanto, sempre que entrava no consultório, ele conversava comigo, interessava-se por minha vida, meus estudos, namoradas, ríamos juntos e, só então, aplicava a injeção. Fiquei completamente curado aos 15 anos.
Hoje, acompanhando uma pessoa amiga, constatei que médicos dessa espécie foram extintos e substituídos por Doutores oniscientes que fazem da medicina um negócio altamente lucrativo.
Não escrevo sobre a área pública. Essa é pior que o inferno de Dante e não pretendo ir tão fundo. Fico no raso mesmo, onde a situação não é menos revoltante. Refiro-me a medicina particular, essa que pagamos através dos nossos cada vez mais caros planos de saúde. Nesse tipo de negócio altamente lucrativo o que encontrei?
Em primeiro lugar, total desrespeito pelo doente. Ainda não encontrei um Doutor que respeite o horário marcado. Ora, se sou um "cliente" e estou "pagando", o mínimo que deveria receber é o cumprimento da hora agendada pelo profissional contratado. Mas, os Doutores estão acima desse princípio elementar e impõe a suas vítimas, horas de espera nas suas ante-salas apertadas, mal ventiladas e repletas de revistas velhas e manuseadas.
Agora, alguns instalaram televisores para distrair as vítimas ansiosas e, quando, por fim, os Doutores se dignam a atender o "cliente", a coisa só piora.
Parto do princípio que, pessoas que procuram um médico, desculpem, um Doutor, estão com algum problema, preocupadas, angustiadas e na maioria das vezes fragilizadas, carentes e em busca de uma solução para o mal que lhes afligem.
Quando por fim, recebem permissão para a audiência com o todo poderoso, adentram uma sala e encontram a solução para suas mazelas, sentado atrás de uma mesa enorme como uma barreira, sério, prático, impessoal e objetivo. Afinal, tempo é dinheiro para os Doutores.
Esperançoso, o "cliente" conta seus problemas para um interlocutor que se quer o olha enquanto anota numa ficha o resultado de algumas perguntas mecânicas em tom notadamente impessoal. Preenchido o formulário, os Doutores rabiscam rapidamente com aquela bela caligrafia uma série de pedidos de exames e despacham o "cliente" sem nenhum exame básico. Afinal, tempo é dinheiro para os Doutores e há uma sala cheia de "pagantes" aguardando.
Pior é quando o "cliente" volta com os resultados, pois fica evidente que o Doutor faz um grande esforço para se lembrar dele e, se não fosse a ficha, não lembrariam mesmo. Aí, é mais simples e rápido ainda. Eles pegam o exame com aquela atitude de sapiência, ticam uns itens como se você fosse uma mercadoria sendo checada, prescrevem uma lista de medicamentos, marcam uma nova tortura, quero dizer, consulta e despacham rápido.
Acho que seria demais esperar que os Doutores abrissem a porta de suas salas pessoalmente, com um sorriso, e absurdo sonhar que praticassem a "teoria do abraço". Gestos simples que acolheriam e minimizariam a angústia de quem, infelizmente, tem que se valer desses Deuses da Medicina.
Minha mãe foi assassinada por um desses Doutores ao buscar tratamento para uma artrite. O Doutor, onisciente e onipotente, aplicou-lhe uma injeção de cortisona no joelho sem muitas perguntas e mandou-a para casa. Ela era cardíaca e, ao cabo de uma semana, faleceu. Eu estava presente, ninguém me contou. Ok caberia uma série de processos, mas na dor da perda, você fica debilitado por um tempo suficiente para que as provas desapareçam.
Saudades dos médicos que conheci, aqueles que realmente nos viam como seres complexos e humanos, e repudio os Doutores que nos enxergam como máquinas com defeito procurando "orçamento" para conserto.
Infelizmente, os Doutores transformaram a medicina em algo rentável para eles, para a indústria farmacêutica e para os laboratórios com os quais são "conveniados" e comissionados.
Acredito, que ainda existam Médicos atuando, mas não os tenho visto ultimamente...
Em contrapartida, conheço vários veterinários que atendem na hora marcada, sem pressa, investigam criteriosamente os animais, dão carinho para eles, conforto para os donos e receitam cuidadosamente sem vínculos com a indústria farmacêutica. Não seria o caso dos Doutores (aparentados com Deus) fazerem cursos com esses veterinários e compreenderem por fim que fizeram um juramento que nada tem a ver com o enriquecimento pessoal?
Não estaria na hora dos Doutores compreenderem que não somos "clientes" e sim pacientes? Que somos seres complexos e que necessitamos também de uma atenção maior, uma palavra de carinho, um sorriso, um conforto? Não estaria na hora de descerem de seus pedestais?
Não sei, continuo saudoso dos médicos, pois pra mim, os Doutores tanto tratam como matam.
Mas, eu garanto que houve um tempo que eles existiam, cheguei até a conhecer alguns. Fui um menino com problemas de amídalas e febres fortes que me jogavam na cama por uma semana inteira. Ele então vinha até minha casa, batia na porta do meu quarto, sentava-se na minha cama, conversava comigo realmente interessado no meu estado geral, me examinava meticulosamente, me animava, prescrevia medicamentos e ia embora. A conta, só chegava para os meus pais posteriormente e, só depois que eu "sarava" por completo.
Já adolescente, conheci outro dessa espécie rara. Tratei-me com ele durante três anos seguidos, três vezes por semana contra uma bronquite alérgica. O tratamento era simples e rápido. Uma injeção subcutânea e pronto. No entanto, sempre que entrava no consultório, ele conversava comigo, interessava-se por minha vida, meus estudos, namoradas, ríamos juntos e, só então, aplicava a injeção. Fiquei completamente curado aos 15 anos.
Hoje, acompanhando uma pessoa amiga, constatei que médicos dessa espécie foram extintos e substituídos por Doutores oniscientes que fazem da medicina um negócio altamente lucrativo.
Não escrevo sobre a área pública. Essa é pior que o inferno de Dante e não pretendo ir tão fundo. Fico no raso mesmo, onde a situação não é menos revoltante. Refiro-me a medicina particular, essa que pagamos através dos nossos cada vez mais caros planos de saúde. Nesse tipo de negócio altamente lucrativo o que encontrei?
Em primeiro lugar, total desrespeito pelo doente. Ainda não encontrei um Doutor que respeite o horário marcado. Ora, se sou um "cliente" e estou "pagando", o mínimo que deveria receber é o cumprimento da hora agendada pelo profissional contratado. Mas, os Doutores estão acima desse princípio elementar e impõe a suas vítimas, horas de espera nas suas ante-salas apertadas, mal ventiladas e repletas de revistas velhas e manuseadas.
Agora, alguns instalaram televisores para distrair as vítimas ansiosas e, quando, por fim, os Doutores se dignam a atender o "cliente", a coisa só piora.
Parto do princípio que, pessoas que procuram um médico, desculpem, um Doutor, estão com algum problema, preocupadas, angustiadas e na maioria das vezes fragilizadas, carentes e em busca de uma solução para o mal que lhes afligem.
Quando por fim, recebem permissão para a audiência com o todo poderoso, adentram uma sala e encontram a solução para suas mazelas, sentado atrás de uma mesa enorme como uma barreira, sério, prático, impessoal e objetivo. Afinal, tempo é dinheiro para os Doutores.
Esperançoso, o "cliente" conta seus problemas para um interlocutor que se quer o olha enquanto anota numa ficha o resultado de algumas perguntas mecânicas em tom notadamente impessoal. Preenchido o formulário, os Doutores rabiscam rapidamente com aquela bela caligrafia uma série de pedidos de exames e despacham o "cliente" sem nenhum exame básico. Afinal, tempo é dinheiro para os Doutores e há uma sala cheia de "pagantes" aguardando.
Pior é quando o "cliente" volta com os resultados, pois fica evidente que o Doutor faz um grande esforço para se lembrar dele e, se não fosse a ficha, não lembrariam mesmo. Aí, é mais simples e rápido ainda. Eles pegam o exame com aquela atitude de sapiência, ticam uns itens como se você fosse uma mercadoria sendo checada, prescrevem uma lista de medicamentos, marcam uma nova tortura, quero dizer, consulta e despacham rápido.
Acho que seria demais esperar que os Doutores abrissem a porta de suas salas pessoalmente, com um sorriso, e absurdo sonhar que praticassem a "teoria do abraço". Gestos simples que acolheriam e minimizariam a angústia de quem, infelizmente, tem que se valer desses Deuses da Medicina.
Minha mãe foi assassinada por um desses Doutores ao buscar tratamento para uma artrite. O Doutor, onisciente e onipotente, aplicou-lhe uma injeção de cortisona no joelho sem muitas perguntas e mandou-a para casa. Ela era cardíaca e, ao cabo de uma semana, faleceu. Eu estava presente, ninguém me contou. Ok caberia uma série de processos, mas na dor da perda, você fica debilitado por um tempo suficiente para que as provas desapareçam.
Saudades dos médicos que conheci, aqueles que realmente nos viam como seres complexos e humanos, e repudio os Doutores que nos enxergam como máquinas com defeito procurando "orçamento" para conserto.
Infelizmente, os Doutores transformaram a medicina em algo rentável para eles, para a indústria farmacêutica e para os laboratórios com os quais são "conveniados" e comissionados.
Acredito, que ainda existam Médicos atuando, mas não os tenho visto ultimamente...
Em contrapartida, conheço vários veterinários que atendem na hora marcada, sem pressa, investigam criteriosamente os animais, dão carinho para eles, conforto para os donos e receitam cuidadosamente sem vínculos com a indústria farmacêutica. Não seria o caso dos Doutores (aparentados com Deus) fazerem cursos com esses veterinários e compreenderem por fim que fizeram um juramento que nada tem a ver com o enriquecimento pessoal?
Não estaria na hora dos Doutores compreenderem que não somos "clientes" e sim pacientes? Que somos seres complexos e que necessitamos também de uma atenção maior, uma palavra de carinho, um sorriso, um conforto? Não estaria na hora de descerem de seus pedestais?
Não sei, continuo saudoso dos médicos, pois pra mim, os Doutores tanto tratam como matam.
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
QUE GOVERNO É ESSE?
Eu sei, eu sei, eu sei... O Brasil tem tantos problemas e escolho justamente um país distante para inaugurar a minha página. Mas, estou certo que, depois que assistirem ao vídeo e as fotos abaixo, entenderão os motivos de minha indignação.
Também sei que devemos respeitar os "costumes" de outros povos, outras culturas e os respeito.
Não vejo nada de mais em se parar nas ruas da Índia e esperar respeitosamente que uma vaca passe.
Nada demais em comer carne de cachorro para quem apetece tal "petisco".
Vejo esses exemplos como costumes arraigados na história de um povo e merecedores do mesmo respeito que gostaríamos de ter com as nossas esquisitices.
No entanto, esse governo insano, ultrapassa a conotação de costume entrando no terreno da extrema crueldade com os seres que tiveram a desgraça de nascerem nesse país.
Que governo é esse que industrializa a crueldade e a segregação de maneira tão aviltante?
Infelizmente as muralhas da china praticamente não existem mais. Lamentável, pois seria uma forma de prender esses governantes bárbaros em suas próprias terras até se exterminarem uns aos outros.
Aos governantes chineses, desejo que reencarnem como animais e mulheres e sofram as mesmas dores que infligem aos seres que deveriam cuidar.
Ao meu ver, se a China está alcançando a categoria de potência mundial, só pode ser de potência de estrema crueldade em nada devendo as atrocidades que o Nazismo trouxe ao mundo.
Sou impotente diante de tanta barbárie, mas a dor deles doeu em mim e a indiferença deles, não cabe em mim.
Registro o meu repúdio a esse governo que impõe "costumes" da idade da pedra a um povo submisso que não veem como escapar de tamanhas arbitrariedades.
Vejam as fotos, assitam o vídeo e julguem por sí só.
Jota Júnior
Também sei que devemos respeitar os "costumes" de outros povos, outras culturas e os respeito.
Não vejo nada de mais em se parar nas ruas da Índia e esperar respeitosamente que uma vaca passe.
Nada demais em comer carne de cachorro para quem apetece tal "petisco".
Vejo esses exemplos como costumes arraigados na história de um povo e merecedores do mesmo respeito que gostaríamos de ter com as nossas esquisitices.
No entanto, esse governo insano, ultrapassa a conotação de costume entrando no terreno da extrema crueldade com os seres que tiveram a desgraça de nascerem nesse país.
Que governo é esse que industrializa a crueldade e a segregação de maneira tão aviltante?
Infelizmente as muralhas da china praticamente não existem mais. Lamentável, pois seria uma forma de prender esses governantes bárbaros em suas próprias terras até se exterminarem uns aos outros.
Aos governantes chineses, desejo que reencarnem como animais e mulheres e sofram as mesmas dores que infligem aos seres que deveriam cuidar.
Ao meu ver, se a China está alcançando a categoria de potência mundial, só pode ser de potência de estrema crueldade em nada devendo as atrocidades que o Nazismo trouxe ao mundo.
Sou impotente diante de tanta barbárie, mas a dor deles doeu em mim e a indiferença deles, não cabe em mim.
Registro o meu repúdio a esse governo que impõe "costumes" da idade da pedra a um povo submisso que não veem como escapar de tamanhas arbitrariedades.
Vejam as fotos, assitam o vídeo e julguem por sí só.
Jota Júnior
Imagem 1
Um bebê recém-nascido, jaz morto na rua, descartada como um pedaço de lixo, sob a indiferença dos que passam.
Ela é apenas mais uma vítima da política cruel do governo Chinês: o limite de um filho por família com aborto compulsório.
Durante horas as pessoas ignoraram a menina.
Imagem 2
A única pessoa que tentou ajudar a criança declarou: “Acho que ela acabou de morrer. Eu a toquei e estava ainda quente. Ainda saia sangue de seu nariz".Essa senhora chamou o pronto socorro mas ninguém apareceu: “O bebê estava perto do escritório fiscal do governo e muitas pessoas passavam e não diziam nada... Eu tirei fotos porque isso é algo terrível... Os policiais quando chegaram ficaram mais preocupados com minhas fotos do que com o bebê".
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